Ateliê do Riso

Desde a criação do Ateliê do Riso, em 2008, Marcio Libar já qualificou três turmas com 20 participantes. Sessenta atores passaram pelo trabalho. Cerca de 30 números criados dentro do Ateliê do Riso se revezam em noites de humor, cabarés e eventos da cidade do Rio de Janeiro. Tal prática gerou oportunidade de multiplicação do mercado para esses jovens atores, a partir da valorização da diversidade cômica e da qualidade técnica.

Ocupar equipamentos públicos de cultura tem sido parte estratégica na viabilização e democratização desse saber. O Ateliê do Riso ocupou a Sala Baden Powell (Prefeitura) num período de três meses em 2008, ano de sua fundação. Em abril de 2009 passa a ocupar o Teatro Gláucio Gill (Estado) sob a forma de convênio. E em 2010 o Teatro Maria Clara Machado – Planetário da Gávea. Trata-se de um importante indicador do reconhecimento por parte do Estado em relação à relevância desse projeto.

De outubro a dezembro de 2014 realizamos a 4a. edição do Ateliê do Riso, no Teatro Glaucio Gill,. disponibilizando novamente  vagas para atores profissionais e em formação interessados em criar um número próprio.

Em janeiro de 2015, numa versão chamada Ateliê de Verão, ocupamos novamente a Sala Baden Powel.

PRÓXIMA EDIÇÃO 1o. semestre 2015

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 A DUPLA CÔMICA

A arte do palhaço é individual. Porém a maior expressão dessa arte é a dupla, pois ela representa o eterno conflito entre o sério e o não sério.

No universo circense são conhecidos como Palhaço Branco e Palhaço Augusto ou como Tony e Clown. Ou seja, duplas clássicas como O Gordo e o Magro (Laurel e Hardy), Abbot e Costello, Jerry Lewys e Dean Martin, Déde e Didi expressam esse eterno conflito entre o homem e sociedade.

Muitas vezes o que percebo, é que o conceito entre sério e não sério no universo cômico, por vezes pode gerar uma certa confusão no entendimento em alguns palhaços que tem na construção da dupla sua expressão artística. A primeira e grande cilada é que muitos fazem do Branco um autoritário que tiraniza o Augusto.

Quase sempre se estabelece uma relação que se assemelha a de patrão/empregado, Sargento/Recruta ou Chef/Cozinheiro. É importante tratar esta relação sob outro ponto de vista, considerando que o autoritarismo não é a única e nem a maior expressão da seriedade.

O que diferencia de fato o Gordo do Magro, por exemplo, é que o Gordo quando comete uma gafe ou um o equivoco, ele tenta disfarçar da sociedade que não errou enquanto o Magro nem percebe que errou. O que nos faz rir é justamente essa contradição. Entre aquele que tenta aparentar ser e aquele que realmente é. Alguma semelhança com a vida?

Sugiro que esta relação seja observada sob o seguinte aspecto: O palhaço Branco tenta ser um exemplo de inteligência, elegância, eficiência e gentileza. Por sua vez o Augusto tem muita admiração pelo Branco e tenta até se parecer com ele tentando imitar sua etiqueta. Porém, ao perceber que o Augusto o admira o Branco se envaidece, torna-se orgulhoso e tenta ter o controle da situação.

É justamente nesse momento que o Augusto se rebela e é aí que se manifestam as implicâncias e as rixas sem grandes conseqüências, como no universo das crianças. Nessas horas é que vemos brotar em cena, as dedadas no olho, os chutes na bunda, os tapas e tortadas na cara, tão peculiares ao universo das duplas de palhaços.

Porém sempre ao final de cada cena em que o Augusto com sua “irracionalidade” e idiotice destrói todo cenário, vemos o Branco olhar para ele com aquele olhar de aceitação e compaixão e dividir esse olhar com a platéia como quem diz: “Gente, ele é assim, desculpem” Suspira fundo e vida que segue, e mesmo que ele saia de cena dando uns beliscões no braço do Augusto sempre que olhar para platéia o Branco estará sorrindo elegantemente.

Sem nos darmos conta é nesse momento que a arte da dupla nos traz uma lição ou uma mensagem como queiram. O Branco e Augusto não estão juntos por uma relação de autoridade e obediência, mas sim porque são idiotas solitários, ambos já perderam tudo, não tem mais nada nem ninguém a não ser um ao outro.

É por isso que seguem juntos e inseparáveis, porque um não é nada sem o outro e é melhor aceitar o outro com todos os defeitos que ele tem do que seguir solitário. Alguma semelhança com a sua vida?

Se vocês gostaram eu posso voltar e falar sobre os Trios Cômicos… Mas sé se vocês pedirem é claro…rs

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O TRIO CÔMICO

No texto que escrevi sobre a Dupla, destaquei o eterno conflito entre a autoridade e a rebeldia expressa nas figuras do Palhaço Branco e Augusto. Esse conflito pode ser traduzido numa simples frase: “Ser quem você realmente é ou ser o que querem que você seja?

No meio dessa encruzilhada que nos encontramos todos os dias e quase todas as horas da nossa vida é que surge o arquétipo do palhaço. É isso que somos uma alma livre querendo alçar vôos altos e um corpo burro preso às leis da natureza e as regras da sociedade. Quem caminha numa direção olhando para outra inevitavelmente esbarra, tropeça e cai… Algo parecido com a vida?

É importante que se compreenda que estou falando de forças ocultas, instintivas que duelam entre si, nessa eterna queda de braço entre homem e sociedade. É aí que surge o terceiro elemento que vai caracterizar O Trio, o Anão, aquele que apanha.

Apenas a título de informação, para quem não sabe no mundo do circo o Anão representa um poderoso clã que remonta a própria origem da bufonaria e da comédia popular na Idade Média.

Considerando que Branco e Augusto representam a “alma”, o Anão simboliza o próprio homem. Assim como o homem, o Anão sabe que é pequeno, que é mais frágil e menos elevado que os demais. O Anão admira tanto o Branco quanto o Augusto e como ele não toma partido de nenhum dos lados, acaba apanhando.

Visualizem esse procedimento clássico de um trio: O Augusto, por alegria ou excitação se excede em suas atitudes. O Branco ao vê-lo sair da linha, o reprime com um olhar ou gesto de censura. Após ser repreendido o Augusto se vira para o Anão e dá uma tapa na sua cabeça. O riso é quase sempre certo nessas horas.

Nos dias de hoje o terceiro elemento do Trio é chamado de Anão no sentido figurado, ou seja, não é necessário de fato ser um anão para compor um trio, mas é importante que saibamos qual é o seu papel, “aquele que apanha”.

Reparem que quando tratamos da Dupla ou do Trio estamos nos referindo a eles no singular. Nós não dizemos os dois ou os três palhaços em cena e sim a Dupla ou o Trio.

Portanto, caso você trabalhe em Trio ou esteja considerando formar um, leve em conta essa regra da palhaçaria clássica citada acima. Ou seja, quando for para cena saiba exatamente qual o seu papel, se serás Branco, Augusto ou Anão. Se suas funções e procedimentos cômicos forem respeitados, as chances de riso serão maiores.

Atualmente, os grandes palhaços preferem não se autodenominar como palhaço Branco, Augusto ou Anão até para poderem ter liberdade de transitar entre os papéis, porém se enganam aqueles que acreditam que eles desconheçam ou ignorem tais procedimentos técnicos na construção do riso.

Se vocês gostaram destas informações da mesma forma que gostaram do texto sobre A Dupla, eu posso voltar falando do quarteto. Mas só se vocês pedirem é claro.
trio.1 trio.2 trio.3Esse Trio na terceira foto é o Catalão El Tricicle. Tem vídeos muito bons deles no YouTube…. (Destaco a luta de boxe em três )

O QUARTETO CÔMICO

Antes de qualquer coisa, quero deixar registrado que o conhecimento adquirido ao longo de 25 anos foi construído através de encontros com profissionais da palhaçaria e mestres da Nobre Arte. A boa e velha tradição oral.

Há muito pouco material teórico publicado no mundo que dê conta deste tipo de conhecimento. Nesse sentido, é importante que você (caro seguidor) tome as informações estou que disponibilizado aqui como um mero fragmento e não como a verdade definitiva e absoluta sobre o assunto.

Foram as longas conversas nas noites frias de Roma com o ”Gandmaster” da Palhaçaria Clássica Nani Colombaioni, que eu recebi esta informação sobre Duplas, Trios e Quartetos. Nani dizia que o Ser Humano consegue ver até quatro ações ao mesmo tempo em cena. Porém, um palhaço a mais em cena, mais difícil vai ficando o jogo. Por isso mesmo existem regras.

O jogo em Trio é o mais longe que se pode ir, em termos de idiotice, por isso mesmo que o quarto e ultimo elemento do jogo é o próprio Monsieur Loyal, que simboliza o dono do circo. Também é o pai da trapezista ou da bailarina, por quem inevitavelmente o palhaço se apaixonará. Diante do Branco, do Augusto e do Anão, o Monseiur é autoridade máxima porque é ele contrata. Em muitos circos espalhados pelo mundo o apresentador ou mestre de cerimônias também pode ser chamado de Monseiur Loyal

A elegância e o figurino impecável são sua marca. Sua casaca vermelha, calça branca, botas de montaria e um chicote na mão revelam seu oficio de domador, adestrador além de dominar a arte da montaria. Para quem não sabe, o circo moderno da maneira que conhecemos tem origem eqüestre e o diâmetro do picadeiro é o tamanho necessário para gerar a força centrifuga aonde o cavalo pode evoluir e o artista exibir suas acrobacias reduzindo os riscos da queda.

Em geral quando a figura o Monseiur surge no jogo é para botar ordem na casa. Os palhaços temem o Monseiur. A estrutura de cena mais manjada que permite revelar esse jogo de “autoridade x rebeldia” é a clássica do Sargento e pelotão. O Sargento Pincel dos Trapalhões representa o Monsieiur Loyal.

Independentemente de quantos palhaços estejam na cena é importante que a lógica da platéia seja sempre orientada por este duplo que é o eterno conflito sério e o não sério, autoridade e rebeldia.

Vejam que a conta sempre termina em dois: Branco x Augusto = dois focos. Branco/Augusto x Anão = dois focos. Branco/Augusto/Anão x Monseiur Loyal = dois focos. O duplo sempre deve estar presente, claro e evidente, pois existe apenas um conflito no jogo do palhaço assim como na vida: Ser quem você realmente é ou ser o que querem que você seja.

Quando perguntei ao Nani o que fazer quando passa de quatro ele respondeu: Aí viram excêntricos musicais ou grupos acrobáticos cômicos, pois daí para frente já se torna impossível para o Ser Humano acompanhar todos os detalhes.

E para concluir eu lhe fiz uma pergunta capciosa: “Mas como manter o duplo quando se está sozinho em cena?” O Mestre respondeu na lata: “Aí sua dupla será seu paletó, sua cadeira, seu chapéu, seu suspensório e tudo aquilo que possa impedir o palhaço de voar. Quando você está sozinho seu Branco e seu Augusto passa a ser os objetos que você leva para cena.”

Que sorte a minha ter conhecido e aprendido a Nobre Arte com o Grande Maestro Nani Colombaioni. Depois desta graça, não me resta outra coisa senão agradecer e compartilhar este conhecimento com o maior número de pessoas possíveis.

Tem mais não!

 

Monseiur Loyal - Fonte: internet

Monseiur Loyal – Fonte: internet

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Nani Colombaioni

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Roberto Guilherme (Sargento Pincel) e os Trapalhões

 

Ateliê Do Riso,  hoje no Globo Zona Sul.

Embora o título esteja: oficina de palhaçaria,na real ela é voltada para atores.

marcio caderno zona sul

 Assessoria de Imprensa: Publish

 

3 Respostas para “Ateliê do Riso

  1. Oi, queria saber o horário da oficina! Obrigada. Helena Vieira

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